setembro 22, 2006

Quem mexeu no meu emprego?

QUEM MEXEU NO MEU EMPREGO?
O grande desafio da humanidade, nos próximos 10, 15 anos, será enfrentar a eliminação contínua dos empregos e a dificuldade de se criarem novas formas de trabalho. Em 1996, Jeremy Rifkin, renomado economista e autor de diversos livros sobre questões relacionadas à ciência, tecnologia e cultura, publicou o livro 'O fim dos empregos'. Ele, já naquela época, constatava: “Mais de 800 milhões de seres humanos no mundo estão desempregados ou subempregados.”


A sociedade da informação e da tecnologia muda o perfil do trabalhador e a realidade do emprego:
> Pesquisas apontam que a cada dois postos de trabalho no Brasil um é formal e outro é informal.
> Entre 16 e 25 milhões de trabalhadores são autônomos ou empreiteiros independentes.
> Atualmente, os maiores empregadores não são mais as megacorporaões e, sim, as agências de trabalho temporário.
> Por volta de 2015, mais de 30% da força de trabalho das grandes cidades dos países industrializados estarão trabalhando em casa.
No Brasil, pelo menos 15% dos trabalhadores se encontrarão nessa situação. O emprego estável em grandes instituições se foi.
> A carreira média provavelmente abrangerá duas ou três “ocupações” e meia dúzia ou mais de empregadores.
> A maioria de nós passará períodos sustentados de nossas carreiras em alguma forma de auto-emprego.

Paradoxalmente, se você visitar alguns sites de recrutamento que ofertam empregos, verificará que muitas vagas não são preenchidas por falta de mão-de-obra qualificada. Novas funções surgiram nesses novos tempos. Empresas petrolíferas buscam, desesperadamente, profissionais de mergulho a grandes profundidades, especialistas em tecnologia da informação não são encontrados na quantidade desejada. Até mesmo profissionais especializados em atividades agrícolas e pecuárias faltam num país com elevada vocação para o campo.
Em compensação, sobram médicos, engenheiros e dentistas, por exemplo, nos grandes centros urbanos. O que leva a situações interessantes. Uma reportagem da Folha de São Paulo, no ano passado, registrava o surgimento de uma nova elite na capital paulista: os perueiros. A matéria focava a família Caçola. Seu filho mais novo, fluente em Inglês e cursando Radiologia numa faculdade particular, aguardava completar seus 21 anos para iniciar-se como motorista de lotação. Claro, certamente uma profissão muito mais rentável. A família possui vários automóveis próprios, casa no interior, dois ônibus-lotação (registrados), uma Sprinter, etc. Entre muitos desses novos profissionais (perueiros), encontram-se engenheiros, matemáticos, assistentes sociais, economistas.
Creio que uma das razões porque sobram vagas em determinados setores é a velocidade das mudanças mercadológicas. As universidades não dispõem de tempo hábil para acompanhá-las. E ainda tem mais. Estudos revelam que mais da metade das pessoas não exercerão a profissão na qual se graduaram. Em certos setores, esse índice alcança 70%!
Outra mudança que deve ser trabalhada é na cabeça da classe média brasileira. Acabou aquela história que Medicina e Engenharia eram profissões de sucesso garantido. Em funão desse mito, centenas, se não milhares deles são oferecidos anualmente ao mercado de trabalho. Estão se tornando commodities. E como para o emprego também vale a Lei da Oferta e da Procura, estão se tornando uma mão-de-obra barata para empresas que não mais oferecem garantias de estabilidade para eles e, pior ainda, para elas.
Quer uma dica do que as empresas mais desejam? Vendedores. Quem vende bem tem emprego garantido para toda a vida. Melhor, é empregável em qualquer lugar.O problema que papai e mamãe não vêem com bons olhos essa profissão.
Um detalhe curioso. Uma pesquisa realizada pelo MEC, recentemente, identificou uma carência de 700 mil professores. Claro, uma das razões é fácil de identificar: baixos salários ofertados. Mas desconfio que muitos dos potenciais educadores estão preferindo formar-se em mergulho, motoristas de lotaão, “personal qualquer coisa”...
Júlio Clebsch